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Breve excerto do primeiro capítulo do livro " Velhas Canções e Romances Portugueses ", de Pedro Fernandes Thomás, editado em 1913 por "França Amado Editor", Coimbra no ano MCMXIII (1913)
...................................................... - "Sobre as canções populares portuguezas e o modo de fazer a sua colheita.
A colheita e colleccionação das cantigas populares -- em que pese aos homens conspicuos, graves e consagrados do nosso paiz -- constituem um problema da mais alta transcendencia. E assim é que em quase todas as nações, esse trabalho está por fazer segundo um methodo verdadeiramente scientifico que garanta a perfeita exactidão. Envolvendo delicadissimas questões de entoação, construcção melodica e rythmica e de harmonisação, elle exige em quem o executa, além de completa educação musical e de especial cultura e preparação, um grande poder de observação e o emprego constante do mais subtil espirito critico. Não devem pois admirar-se os illustres acima citados que, sendo nós notaveis pela ausencia destas duas faculdadaes mentaes, de observação e de analyse, não tenhamos ja colleccionado toda a musica do nosso Folk-lore, e não o tenhamos feito de uma forma superior; nem tão pouco que alguns trabalhos já publicados e dignos de atenção, embora em limitadissimo numero, houvessem passado quasi despercebidos no meio da pobreza e inferioridade da nossa producção litteraria. ..........................................
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No caso, do texto de Fernando Lopes Graça, há realmente uma angústia latente, é essa mesma angústia que como um manto, ou melhor dizendo um xaile... nos parece tolher!.
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- Porquê estes textos?
Estes pequenos excertos que aqui trazemos, pertencem a obras literárias diferentes. Escritos em épocas diferentes e separadas por longos anos trazem-nos uma preocupação séria sobre a nossa música. Muito mais do que uma crítica elas trazem esse olhar puro e profundamente simples de quem dá valor ao seu passado. Deixem-se, orgulhos, e vaidades, aprenda-se esse senso de preservar e desenvolver o que do passado, nos ensina uma identidade de que muitas vezes carecemos, sobretudo pela excessiva exposição a uma cultura que não é a nossa.
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Leia... "Brevíssimo excerto da advertência à edição portuguesa, escrita por Fernando Lopes Graça" no livro "A Música" Enciclopédia da Plêiade, editada por Arcádia, composto e impresso na Comp.Editora do Minho, Barcelos, Outubro de 1965 ............................................................................................ É certo que a arte dos sons nunca atingiu em Portugal as culminâncias de outras músicas europeias (como para não falar senão nas essenciais, a Francesa, a Italiana, a Flamenga, a Espanhola ou a Alemã), e que não se poderá dizer que a história da música portuguesa forme um processus que se imponha na História Geral da Música (embora o processus histórico da nossa música se ache actualmente em revisão, sendo possível que, no prosseguimento das investigações ùltimamente feitas, e cujos resultados, por vezes merecedores da melhor atenção, já são conhecidos, as perspectivas e os conceitos sobre ela venham a alargar-se considerávelmente). Em todo o caso, o que não poderá ser olvidado é que Portugal é um País de formação e tradição cultural clássicas, e que um país, que tão notávelmente contribuiu para a formação do mundo e do espírito modernos, e que conta na sua civilização com os nomes, que pertencem também à civilização mundial, de um Gil Vicente, um Camões, um Damião de Góis, um Garcia de Orta, um Pedro Nunes, um João Baptista Lavanha (para só referir os seus luminares de Quinhentos) esse país tem jus a não passar inteiramente despercebido numa História da Música, ainda que a sua música possa não emparelhar com a sua literatura ou a sua ciência clássicas. Mesmo assim, uma meia dúzia de nomes representativos da sua arte musical- um Duarte Lobo, um Manuel Cardoso, um Rodrigues Coelho, um Carlos de Seixas, um Sousa Carvalho, um Marcos Portugal - não deslustrariam as páginas de uma História da Música informada por um espírito verdadeiramente ecuménico (e não vai nisto menoscabo de maior para o deveras notável propósito e e esforço de esclarecimento que presidiu à feitura dos volumes sobre a Música da Plêiade). ....................................................................................................
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